• Karla Kratschmer

Sintomamor | Qual o seu?

Atualizado: 6 de Mai de 2019



A experiência da análise é uma maravilha, nela você (re)descobre e (re)constrói. Mas como isso seria possível sem olhar para si? Faz-se necessário ver, ouvir e falar, aquilo que nem sempre conscientemente se quer. E então descobrir Isso e aquilo que parecia estar quentinho e confortável, coberto numa manhã fria.

É possível transformação sem dor? (Re)construção sem desejo?


Há uma piada antiga que pergunta quantos psicólogos são necessários para trocar uma lâmpada; tendo como resposta para a charada: só um, mas a lâmpada precisa realmente querer mudar!

E é claro que a pessoa busca a análise querendo mudar; ou melhor, querendo mudar aquilo que vem acontecendo com ela a partir do olhar para o desejo do outro, para a mudança no outro.

E esse desejo é tão presente que não é difícil ouvir enunciações do tipo: “quem deveria estar fazendo terapia não sou eu, é ela/ele!” “quem precisa mudar é ela/ele e não eu!”; deixando evidente que o desejo da mudança está para o outro, quando a mudança precisa justamente partir da própria pessoa.

Sabe aquele ditado do ovo? Que se quebrar de dentro para fora nasce e se quebrar de fora para dentro morre? É um baita clichê, eu sei. Mas esperar que as coisas mudem focando no outro é como quebrar o ovo de fora para dentro; e feito isso, o que nascerá?


E quando é que essas expressões começam a surgir? Quando a pessoa, inconsciente ou até mesmo conscientemente se percebe olhando para si; quando começa a se dar conta de que a resposta que busca não irá partir do outro, que ela é quem precisa mudar - ou não - se quiser que algo seja diferente.

“Lacan introduz a oposição entre fala plena e fala vazia como onipresente na análise. Na fala vazia, o sujeito fala em vão sobre si mesmo sem reconhecer-se em seu desejo” [1], e penso que quando a fala deixa de ser vazia (re)descobre-se aquilo que estava coberto, e tentando evitar uma confrontação com seu próprio desejo e realidade, tenta fugir de si fugindo da análise.


Somos seres desejantes em meio a um caos de complexos e sintomas, e é claro que querer mudar parece fácil enquanto a visão da mudança mais tem a ver com o que o outro deseja da gente do que com o que nós desejamos da gente e/ou para a gente - por mais estranho que isso soe.

Tal como uma criança que ao se deparar com um novo bebê em casa, roubando a atenção que antes sentia ser somente dela, adoece para ser cuidada; pessoas adultas abraçam seus sintomas querendo retornar àquele lugar quente e confortável onde tudo era possível de ser fantasiado sem dor. Eis uma relação de amor que adoece.


Karla Kratschmer | Psicóloga&Psicanalista | CRP 06/121815

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Fonte da citação [1]: JORGE, M. A. C. Fundamentos da Psicanálise de Freud a Lacan, vol. 3: a prática analítica. 1. ed. Rio de Janeiro: Zahar, 2017.

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