• Karla Kratschmer

Você sabe identificar relacionamentos abusivos?

Atualizado: 22 de Abr de 2019


“Eu vejo você como um porco”, era o que Marina*, 32 anos, mais ouvia do marido enquanto ele cuspia em seu rosto. Casada por 12 anos, ela ficou 10 sem ter coragem de se olhar no espelho. O marido a empurrava, gritava com ela, trancava-a dentro de casa por dias, humilhava-a. (...) “Eu não tinha direito a nada. Até no corte do cabelo dos meus filhos eu não podia opinar”. O seu único sentimento era o de culpa, já que ele sempre a fez acreditar que a forma como ele a tratava era por responsabilidade dela. “Eu sempre achei que ele estava certo e eu queria ser perfeita para ele”. (...).


Dados da Organização das Nações Unidas (ONU) de 2011 indicam que mais de 70% das mulheres em todo o mundo sofrem algum tipo de violência de gênero ao longo da vida.

[Os dados acima foram coletados no site Portal Brasil].


‘Marina’, cujo nome é fictício, é uma dentre milhares de mulheres que sofrem caladas com a violência doméstica, e assim como ela, muitas pessoas sequer sabem que são vítimas.

Mulheres em todo o mundo sofrem violência e discriminação, e a violência não é só física e/ou sexual.

A violência psicológica é muito comum e muitas vezes é mascarada pela atuação sutil, que coloca a violência física em segundo plano; seu principal objetivo é afetar a pessoa psicologicamente, destruindo sua autoestima sem deixar lesões aparentes.


Algumas das formas mais utilizadas:


- Controlar a maneira de se vestir; a maquiagem, o esmalte, e o tipo de sapato que usa;

- Interferir nas amizades e relacionamentos familiares; proibir de sair, estabelecer horários para chegar;

- Controlar a alimentação e o peso; “Você está gorda (o) demais”, “Você está magra (o) demais”;

- Colocar defeito em tudo que realiza e na maneira que se expressa;

- Não respeitar o seu lugar de fala; muitas vezes interrompendo com frequência;

- Ofender, fazer duvidar da própria inteligência, corrigir em público; expor a situações desconfortáveis e humilhantes.


Esses são apenas alguns exemplos das muitas formas de violência; que são usadas como forma de controle e normalmente são seguidas de uma “inversão”, onde a pessoa que agride faz com que a vítima sinta-se culpada e merecedora da violência sofrida: “Eu sempre achei que ele estava certo e eu queria ser perfeita para ele”.

Com o tempo as agressões vão destruindo a autoestima, fazendo com que a pessoa passe a manter de si uma visão altamente negativa, o que consequentemente vai minando também o relacionamento com amigas (os) e familiares.


A violência psicológica toma formas muito sutis, mas a angústia torna-se perceptível por mais que seja difícil nomear o que está acontecendo.

Busque ajuda e orientação caso desconfie de algo em seu relacionamento. Seja ele amoroso, familiar, ou amigo; independente de você ser mulher ou homem e relacionar-se com mulheres ou homens: o abuso pode ocorrer em qualquer tipo de relacionamento.


A matéria com o depoimento completo de “Marina” e outras mulheres, você encontra aqui.


Karla Kratschmer | Psicóloga – CRP 06/121815

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